Publicidade oculta de influencers motiva 30 denúncias em 30 dias na DECO portuguesa

A associação de consumidores encaminhou um caso por dia a órgãos de regulação e alerta para a expansão de conteúdo comercial não sinalizado em saúde e estética. Para marcas e creators, o recado é sobre compliance em campanhas com link e código de desconto.

Imagem: diariOnline Região Sul - Algarve, Portugal

Publicidade oculta de influencers motiva 30 denúncias em 30 dias na DECO portuguesa

A associação de consumidores encaminhou um caso por dia a órgãos de regulação e alerta para a expansão de conteúdo comercial não sinalizado em saúde e estética. Para marcas e creators, o recado é sobre compliance em campanhas com link e código de desconto.

A associação de consumidores portuguesa DECO transformou um mês de monitoramento em uma denúncia por dia para mostrar a dimensão do que chama de publicidade oculta nas redes sociais. Em 30 dias, foram 30 denúncias formais sobre conteúdos comerciais publicados por influencers sem identificação como publicidade, segundo relato do diariOnline Região Sul e do Jornal Económico.

O diagnóstico da entidade é direto: apesar de o marketing de influência dominar o ambiente digital e estar cada vez mais profissionalizado, é reduzido o número de creators que identifica corretamente a natureza comercial do que publica, e é rara a utilização das etiquetas de "parceria remunerada" disponibilizadas pelas próprias plataformas.

O que a DECO encontrou no feed

Segundo a associação, o scroll das redes sociais está carregado de conteúdo comercial apresentado como "sugestões desinteressadas" e "experiências pessoais". O escopo vai de publicidade banal — hotéis, marcas de roupas, cosméticos, códigos de desconto e sorteios — até categorias de risco maior.

É nesse ponto que a apuração ganha peso para quem trabalha com campanha: a DECO aponta que a publicidade não identificada a suplementos alimentares está cada vez mais presente, sem sinalização, assim como a promoção de procedimentos estéticos, incluindo a aplicação de injetáveis como botox.

A entidade vê com preocupação a repetição do problema — a DECO já havia feito denúncias semelhantes há pouco mais de um ano — e pede mais fiscalização e restrições específicas para produtos e serviços de maior risco.

Para onde vão as denúncias

A maior parte dos casos foi encaminhada à Direção Geral do Consumidor, Comércio e Serviços (DGC), em Portugal, mas também chegou à ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) e à ERS (Entidade Reguladora da Saúde), no âmbito das competências de cada órgão, de acordo com as duas fontes.

Em paralelo, a plataforma #Pub monitoriza as redes sociais em busca de quem divulga marcas e produtos sem as referências "pub", "patrocínio" ou "oferta", em simultâneo com a campanha de denúncias da DECO, segundo o SÁBADO.

O critério que interessa a marcas e creators

Um dos pontos mais práticos da apuração serve como régua para qualquer operação comercial: o elemento comercial está presente sempre que o influenciador recebe alguma forma de contrapartida pela recomendação. A orientação da DECO, segundo o Jornal Económico, é que a existência de código de desconto ou link para o produto indica provavelmente um acordo comercial por trás — mesmo sem etiqueta visível. A ausência do selo, diz a entidade, não significa que não seja publicidade.

Na dúvida, a DECO orienta que o consumidor procure a etiqueta "parceria remunerada" ou menções como #pub, e desconfie de recomendações sobre saúde ou suplementos feitas por quem não é profissional da área.

Por que isso importa agora

Análise à parte dos fatos apurados, o caso português explicita um vetor de risco que atravessa qualquer mercado creator: a fronteira entre conteúdo orgânico e publicidade paga se dilui justamente nas categorias em que a consequência para o consumidor é maior — saúde, suplementação e estética. Para marcas e creators que operam campanhas com influenciadores, o movimento da DECO reforça dois pontos de negócio: a necessidade de cláusulas claras de sinalização nos contratos e a atenção à responsabilidade do anunciante quando o conteúdo não é identificado.

O episódio também mostra que a fiscalização deixou de depender só da denúncia espontânea de consumidores: com ferramentas de monitoramento varrendo redes em busca de menções comerciais sem tag, a exposição de uma campanha mal sinalizada cresce. Para o mercado creator, a conta é simples — o custo de etiquetar é baixo; o custo de não etiquetar, cada vez menos.