Spotify assina com Believe e amplia licenciamento para remixes de IA feitos por fãs

Acordo anunciado em 20 de outubro coloca catálogo da Believe e da TuneCore na ferramenta de remixes com IA que será vendida como adicional pago para assinantes Premium. Participação de artistas é opcional e preço ainda não foi revelado.

Imagem: Billboard

O acordo

O Spotify assinou um acordo de licenciamento com a Believe — que opera a distribuidora TuneCore — para incluir seus catálogos na ferramenta de remixes e covers com inteligência artificial que a plataforma está desenvolvendo. A divulgação foi feita na terça-feira, 20 de outubro, segundo a Billboard.

A ferramenta permite que fãs recriem remixes e covers de músicas de artistas participantes. Pela regra, os streams desses remixes geram royalties para os detentores de direitos da obra original, de acordo com o WeRSM. O recurso será oferecido como adicional pago para assinantes do Spotify Premium, e cada remix terá link de volta para a faixa e o artista originais.

A Believe é o quarto grande parceiro a entrar no programa. A Universal Music Group foi a primeira, anunciada em maio; o selo independente Merlin assinou em 4 de agosto e a Kobalt, em 13 de agosto, segundo a Billboard.

Como funciona o consentimento

A participação é voluntária. Believe e TuneCore usam um processo de consentimento em duas etapas: primeiro o artista decide se quer entrar em programas relacionados a IA; depois, se aceitar, recebe a parceria com o Spotify como um serviço adicional e pode recusar só essa ferramenta.

"A um ano, compartilhamos com o Spotify uma visão: a IA deve criar novas oportunidades para artistas enquanto protege seus direitos e o valor de sua música", disse Denis Ladegaillerie, fundador e CEO da Believe, em nota citada pela Billboard. "Hoje, essa parceria coloca essa visão em prática."

Segundo a Billboard, Believe e Spotify trabalham com três princípios — consentimento, crédito e compensação —, incluindo um pool de royalties financiado pelo próprio serviço de remixes. Charlie Hellman, vice-presidente sênior e head global de música do Spotify, afirmou que "a criatividade dos fãs pode aprofundar a conexão entre fãs e os artistas que amam, criando novo valor para artistas".

O que ainda não está definido

Preço do adicional, data de lançamento e o rateio de distribuição por stream não foram revelados. Sem esses três números, não há como estimar quanto um artista pode faturar com cada remix. A Billboard ouviu os co-CEOs do Spotify na quinta-feira, 22 de outubro, e eles se recusaram a comentar preço, dizendo apenas que a ferramenta gerará nova receita para a indústria e para criadores.

"Além dessas empresas, temos apoio amplo", disse o co-CEO Alex Norström à Billboard, sobre conversas com artistas e detentores de direitos. "Está indo na direção certa e a empolgação está crescendo."

Gustav Söderström, outro co-CEO, situou a ferramenta dentro do debate sobre IA: "É uma forma de os artistas participarem da IA, em vez de apenas focarem em música totalmente nova sendo criada. E, pensando nesse pool de royalties, o Spotify é o maior. Acreditamos que somos a empresa certa para fazer isso."

O outro lado da estratégia

A mesma semana em que o licenciamento foi ampliado, o Spotify deu números da outra frente da sua política de IA: mais de 50 milhões de músicas foram tiradas das recomendações e mais de 75 milhões de faixas foram removidas da plataforma desde o endurecimento das regras em setembro de 2025, de acordo com a Billboard.

No terceiro trimestre, a empresa somou 6 milhões de assinantes Premium líquidos — 1 milhão acima da projeção —, chegando a 316 milhões, e afirmou ter pago US$ 70 bilhões aos detentores de direitos em 20 anos, segundo a mesma reportagem.

Por que isso importa para o mercado

O formato do negócio está mudando de lugar. Atividade de remix de fã já existe em escala, mas acontece fora de qualquer sistema de pagamento, como observa o WeRSM. A aposta do Spotify é trazer esse comportamento para dentro da plataforma, com direito, autoria e receita anexados.

Para artistas e gravadoras, a decisão imediata é binária: entrar ou ficar de fora. Quem entra abre uma nova fonte de receita sobre catálogo já existente, mas abre também o uso do próprio trabalho por fãs com ferramenta de IA. Quem fica de fora mantém o controle, mas perde a participação em um pool financiado pelo adicional pago.

O detalhe que costuma decidir esse tipo de onda é o rateio por stream — justamente o número que ainda não foi publicado.